Você dorme por horas, mas acorda cansado? Tem a sensação de que o sono não foi suficiente, mesmo depois de uma noite inteira na cama? Boca seca ao despertar, dor de cabeça pela manhã e sonolência durante o dia também fazem parte da sua rotina? Entenda os problemas que o ronco pode causar.
Embora muitas pessoas atribuam esses sintomas apenas ao estresse ou ao excesso de trabalho, eles também podem indicar que sua respiração durante o sono não está acontecendo da forma adequada. O ronco resulta da vibração dos tecidos da garganta durante a passagem do ar e pode estar relacionado a diversos fatores, como excesso de peso, anatomia das vias aéreas, envelhecimento e relaxamento da musculatura durante o sono.
Quando o nariz está com alguma obstrução, seja por desvio de septo, rinite, aumento das conchas nasais (“carne esponjosa”) ou outras alterações, a passagem do ar encontra maior resistência. Isso faz com que muitas pessoas passem a respirar pela boca durante a noite, aumentando a turbulência do fluxo de ar na garganta e favorecendo ou agravando o ronco, especialmente em quem já apresenta predisposição.
Em outras palavras, a obstrução nasal não costuma ser a causa única do ronco, mas pode torná-lo mais intenso e contribuir para uma pior qualidade do sono. Por isso, identificar e tratar problemas nasais faz parte da avaliação de qualquer paciente que ronca, principalmente quando existem sintomas como cansaço ao acordar, sono não reparador ou suspeita de apneia do sono.
O impacto do ronco e da apneia na sua saúde
Nem todo ronco significa apneia do sono. No entanto, quando ele é frequente, intenso ou vem acompanhado de pausas na respiração, sonolência durante o dia e cansaço ao acordar, é importante investigar essa possibilidade.
A apneia obstrutiva do sono caracteriza-se por episódios repetidos de obstrução das vias aéreas durante o sono. Nesses momentos, a respiração diminui ou para por alguns segundos. Dessa forma, o cérebro precisa promover pequenos despertares para restabelecer a passagem do ar. Muitas vezes, a pessoa nem percebe esses despertares, mas o sono deixa de ser realmente reparador.
Quando não recebe tratamento, a apneia aumenta o risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, alterações cognitivas e piora da qualidade de vida. Além disso, a redução repetida da oxigenação e a fragmentação do sono podem provocar sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, falhas de memória, irritabilidade e queda no desempenho físico e mental.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
Recomenda-se uma avaliação especializada quando você apresenta um ou mais dos seguintes sintomas:
- Ronco frequente ou intenso;
- Dificuldade para respirar pelo nariz;
- Respiração pela boca durante o sono;
- Boca seca ao acordar;
- Sensação de sono não reparador;
- Cansaço excessivo durante o dia;
- Pausas na respiração observadas por quem dorme ao seu lado.
Esses sintomas merecem investigação, pois podem estar relacionados à obstrução nasal, à apneia do sono ou a outras alterações das vias aéreas superiores.
Recupere a sua qualidade de vida
Respirar bem não deve ser um desafio. Portanto, se você ronca, acorda cansado ou sente dificuldade para respirar pelo nariz, o primeiro passo é identificar a causa do problema. A avaliação é realizada em consultório e complementada pela nasofibrolaringoscopia, um exame rápido e bem tolerado, realizado com uma câmera fina e flexível que permite visualizar detalhadamente a cavidade nasal, a faringe e a laringe.
Assim, é possível definir o tratamento mais adequado para cada paciente. Dependendo da causa da obstrução, ele pode incluir medicamentos ou procedimentos cirúrgicos para corrigir alterações anatômicas. Mas o mais importante é você entender o seguinte: conviver com nariz entupido, ronco ou sono não reparador não deve ser considerado normal. Um diagnóstico preciso é o primeiro passo para respirar melhor, dormir com mais qualidade e recuperar a disposição e a qualidade de vida.

